Em Colatina,
comércio já sofre com o racionamento devido a estiagem. Cidade capixaba vai ser afetada após tragédia com barragem, em Mariana.
Comerciantes de Colatina começam a traçar medidas para que os problemas de abastecimento não tragam grandes prejuízos. A crise hídrica que afeta o Espírito Santo se transformou em balizador para a situação, uma vez que economizar água vem sendo uma prática comum no município do Noroeste capixaba.
No dia 5 de novembro, uma barragem de rejeitos de mineração da Samarco se rompeu e deixou embaixo de lama o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, região central de Minas Gerais. O desastre ambiental, considerado um dos mais graves da história brasileira, atingiu o Rio Doce, já afeta o abastecimento de água em Baixo Guandu, e deve afetar Colatina eLinhares nos próximos dias.
Dono de um restaurante localizado próximo às margens do Rio Doce, Jean Carlos Pancieri segue adotando em seu estabelecimento algumas práticas que foram adquiridas no período de seca. "Já trabalhamos com crise há mais ou menos um ano, por isso estamos utilizando copos descartáveis, não lavamos calçadas. A recomendação é evitar lavar aquilo que é desnecessário e passar pano para deixar sempre limpo", conta o proprietário.
Jean, que também é representante do Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Espírito Santo (Sindbares) na cidade, confirmou haver uma preocupação geral entre os proprietários do segmento em Colatina.
Nesta terça-feira (17), deve acontecer uma reunião com a Vigilância Sanitária para definir o que poderá ser feito quando o abastecimento de água for afetado de vez. "Estamos apreensivos, não sabemos se vai compensar pagar caminhões-pipa para abastecer os bares. Teremos uma reunião com a Vigilância para traçar possibilidades para quando a distribuição de água for interrompida", afirmou Jean.
Outro estabelecimento que faz uso constante de água são os lava jatos. Gabriel Savarato, que é proprietário de um comercio de limpeza de veículos em Colatina, afirma que diminuiu em 40% o consumo de água no local. Mesmo reforçado por um poço artesiano, ele diz que o movimento caiu bastante.
"As pessoas estão preocupadas e optam por economizar. Acredito que tivemos um prejuízo de 30% desde que a lama chegou ao rio. Esse problema nos afeta bastante já que trabalhamos diretamente com a água. Existe um medo de que uma hora ela acabe", diz o proprietário do lava jato, que teve que diminuir a carga horária de trabalho.
Solução
Além da economia e a alteração nas rotinas de trabalho, uma outra medida eficaz é operar com a reutilização da água. Nas lavanderias da cidade, essa é uma prática comum, como afirma Juarez Moscon, gerente de produção de um desses estabelecimentos em Colatina.
Segundo ele, faz o reuso da água, que passa por um processo de tratamento antes de retornar aos reservatórios, faz com que o funcionamento siga normalmente. "Nós não tiramos tanta água do rio, apenas uma pequena quantia para compensar as perdas com evaporação. Por conta do nosso modelo de trabalho, o impacto acabou não sendo grande", explica o gerente.
Esta captação para reabastecer as perdas foi diminuída em 10% em relação à situação normal. O efeito surtido foi uma queda proporcional na produção, nada que prejudique a continuidade dos trabalhos. "A produção também diminuiu na mesma porcentagem para compensar a falta de compensação da água", completa Juarez.
Preocupação geral
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Colatina, Moacyr Menegatti Junior, não acredita que os problemas na distribuição de água no município afetem diretamente o funcionamento do comércio.
Entretanto, ele acredita que o movimento pode diminuir por conta da atenção dada pela população. "O comércio não depende tanto da água, que é utilizada mais para a limpeza - que pode ser feita com água reaproveitada - e consumo - água mineral. Nossa preocupação é que vá afetar a movimentação, por conta do clima pessimista que as pessoas estão passando", comenta o dirigente.
Moacyr acha que o momento é de que as pessoas pensem de forma coletiva para que a água não falte após esse novo baque sofrido pelo Rio Doce. "Nós já enfrentávamos uma crise hídrica que constituía um grande problema. A escassez de chuva na região afetou no consumo e nos atingiu de forma direta. Esse desastre é uma nova porrada na gente e que teremos que saber enfrentar", completa.
* Felipe Pacheco faz parte do Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta.
(G1 ES - TV GAZETA)
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