O tempo de espera para adoção vai ficar menor. Esta
é a proposta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que lançou esta semana nova
versão do Cadastro Nacional de Adoção (CNA). O novo modelo é mais moderno,
simples e permite o cruzamento de dados entre os pretendentes e as crianças de
todo o Brasil.
A principal mudança é a interligação nacional das comarcas. Antes, o
juiz preenchia as informações, mas elas ficavam restritas ao estado de origem.
Quando iniciava a procura por uma criança com o perfil solicitado pelos
adotantes, o magistrado tinha de consultar diferentes cadastros, o que, segundo
a corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi, dificulta a
tramitação do processo.
Para a ministra Nancy Andrighi, a racionalização do
cadastro facilitará juízes e 33,5 mil interessados em adotar uma das 5,7
mil crianças colocadas para adoçãoLuiz Silveira/Agência CNJ
“O novo cadastro ligará todos
os juízes das varas da Infância e da Juventude do Brasil, que, em tempo real,
tomam conhecimento da criança colocada para adoção. Em qualquer ponto do país,
ele pode se comunicar com o colega que preencheu a ficha da criança para
adoção. Por exemplo, um pretendente do Norte do país poderá encontrar uma
criança no Sul", explicou Nancy
Andrighi.
De acordo com a corregedora, o preenchimento do formulário também foi
facilitado, reduzindo de 35 para o 12 o total de itens a serem informados pelos
juízes no momento do lançamento dos dados no sistema. Segundo ela, a ordem da
fila de adoção será respeitada. Todos os pretendentes do cadastro são
considerados titulares do direito de adotar, já que, para ingressar no banco de
dados, é necessário cumprir os trâmites exigidos pela lei.
Dados do CNJ indicam que, atualmente, o cadastro tem 33,5 mil
pretendentes e cerca de 5,7 mil crianças para adoção. Para Nancy Andrighi, a
ferramenta foi concebida para ser um instrumento centralizador das informações
nacionais a respeito da adoção. O CNA funcionará como mecanismo de auxílio ao
juiz na localização de cadastros coincidentes, de forma a agilizar o processo
de adoção.
“O que fizemos
foi uma simplificação, uma racionalização do cadastro e a interligação
nacional. Simultaneamente, o juiz que cadastrou o pretendente é informado por email da
existência de uma criança com o perfil pretendido pelo adotante.”
A ministra acrescentou que outro alerta importante
é o aviso que será enviado ao juiz caso um registro fique inativo por muito
tempo, permitindo verificar e corrigir obstáculos que dificultem a adoção.
Presidenta da organização não governamental (ONG) Aconchego, grupo
brasiliense de apoio a adoção, Soraya Pereira alertou que nem todas as comarcas
do Brasil dispõem do sistema ou têm condições adequadas de informática para
implantação do mecanismo.
“O cadastro existe para facilitar, para que possa realmente ocorrer essa
troca de informações. Não adianta dizer que funcionará em todos os lugares,
porque muitos não têm o sistema. Precisamos modernizá-lo, claro, mas também
trabalhar com a parte técnica, com os técnicos que assessoram os juízes, que
estão em contato com os pretendentes de adoção e que estão alimentando o
sistema”, afirmou Soraya.
A ministra Nancy Andrighi reconheceu que comarcas, principalmente no
interior do país, têm dificuldades de conexão com a internet. Entretanto,
ressaltou que o sistema foi desenvolvido para facilitar o trabalho dos juízes e
agilizar o processo de adoção. “Estamos tentando corrigir isso. É possível
colocar as informações a partir de uma comarca onde a internet funcione
normalmente", concluiu.
Criado em 16/05/15
10h46 e atualizado em 16/05/15 10h50
Por Da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso
Por Da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso
Fonte: EBC

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